Eu acredito!*
Sim, eu acredito!
Podem me chamar de louco, de sonhador, de ingênuo, de crédulo… chamem do que quiserem! Eu me chamo de torcedor!
Porque torcer é exatamente isso: acreditar até mesmo no improvável! E torcer para o Fluminense, é ter esperança acima de qualquer outro sentimento. É acreditar até o último minuto na superação, em forças ocultas do bem. É acreditar no Sobrenatural de Almeida, personagem do além criado e imortalizado por Nelson Rodrigues, e responsável pelos gols mais improváveis, que por diversas vezes deram títulos ou salvaram a pele do Tricolor das Laranjeiras.
E por ser torcedor tricolor, eu professo, contra todos os prognósticos de especialistas do futebol, jornalistas esportivos e matemáticos de plantão: o Flu não vai cair!!!
* Este post foi escrito em 02/10/2009, quando o Fluminense ocupava a lanterna do Campeonato Brasileiro de 2009, e os matemáticos calcularam que o clube tinha 99,7% de chances de ser rebaixado. Sua publicação somente agora deve-se à minha ausência do país e absoluta falta de tempo para dedicar-me ao blog nesse período.
Tal pai, tal filho… em quase tudo.
Nelson Piquet, não há como negar, foi um piloto de talento considerável na Fórmula 1. Afinal, ninguém passa por essa categoria e leva para casa três títulos mundiais se não for um bom piloto, ainda mais na década de 80, quando o piloto fazia muito mais diferença na categoria. Mas o tamanho de sua habilidade na direção era proporcional ao tamanho da sua capacidade de gerar antipatia, até mesmo por parte dos torcedores brasileiros. Antipatia que, diga-se de passagem, sempre foi plenamente justificada, pois são notórios o seu mal-humor e a sua grosseria, sem falar que pesam contra ele acusações de conduta antiética, como a de “puxar o tapete” do então novato Ayrton Senna, usando de sua influência política na categoria para forçar Frank Willians a não contratá-lo para sua equipe.
Bem, parece que esse probleminha de caráter se transmite de forma hereditária.
Nas últimas semanas, os bastidores da F1 foram incendiados pela polêmica envolvendo a equipe Renault e um de seus pilotos, justamente o Nelson Ângelo Piquet, filho do tricampeão. A equipe está sendo acusada de “armar” um resultado, obrigando Nelsinho Piquet a forjar premeditadamente um acidente no GP de Cingapura da temporada passada, com o objetivo de favorecer o outro piloto da equipe, o espanhol Fernando Alonso, que venceu aquela corrida. E ontem foi divulgado o depoimento de Nelsinho à comissão de investigação da Federação Internacional de Automobilismo.
A equipe Renault nega, mas Nelsinho sustenta em seu depoimento que, na véspera do GP, foi “convidado” pelos diretores da equipe a provocar um acidente durante a corrida, gerando a entrada do Safety Car e favorecendo a vitória do seu companheiro de equipe. Pior do que isso, Nelsinho confessa que aceitou participar da armação e jogar seu carro contra o muro de propósito, justificando que estava sob enorme pressão psicológica exercida pelo chefe da equipe, Flávio Briattore, que retardava a assinatura da renovação de seu contrato. Pelas palavras do próprio Nelsinho, ele concordou em participar dessa manobra imoral por crer que ganharia pontos junto à direção da equipe, e teria garantida a renovação do seu contrato.
Nelsinho quis parecer vítima, mas não há nada neste caso que possa colocá-lo como tal. Ele confessou, com todas as letras, que concordou com uma jogada imoral para garantir seu futuro na equipe. Isso ultrapassa todos os limites da falta de ética. Além de ter sido desleal com a torcida brasileira e com os seus companheiros de profissão, revelou-se indigno de confiança daquele que o emprega, pois guardou esse segredo com ele até que sua situação na equipe fosse insustentável. Ele é protagonista do “crime”, não vítima.
Sua conduta foi uma vergonha para o Brasil manchando a imagem dos esportistas brasileiros e dando um péssimo exemplo às novas gerações. Nelsinho é filho de um tricampeão mundial de F1, nasceu em berço de ouro, com todas as mordomias e oportunidades na vida. Vender a sua integridade por causa da renovação de um contrato na F1? Inaceitável! Se isso partisse de alguém que passou fome na infância, ainda assim seria criticável, mas pelo menos seria compreensível. Mas ele não. Ele não morreria de fome se perdesse o emprego na Renault por se manter íntegro, fiel aos valores morais que devem pautar a vida de um homem. Ele sequer tem filhos para justificar que “precisava prover o leitinho das crianças”.
Ao saber do teor do depoimento de Nelsinho, o seu compatriota Rubens Barrichello declarou que, se for verdade o que ele diz, ele não merece estar na categoria. E não merece mesmo! Alguém aí pode dizer: “ah, mas Rubinho também deixou Schumacher passar naquele GP da Áustria de 2002″. Mas pelo menos ele fez isso de forma explícita, freando escancaradamente na reta de chegada, para que todos vissem a ordem imoral que ele recebeu, mesmo sabendo que essa atitude poderia custar sua cabeça na equipe Ferrari. Nelsinho guardou segredo por quase um ano, e só revelou porque foi dispensado pela Renault no mês passado.
Prova viva de que dinheiro e fama não dão caráter a ninguém, Nelsinho entrará para a história como um garoto mimado e sem escrúpulos, e o fim de sua carreira como esportista seria, no mínimo, uma questão de justiça, pois sua falta de ética o transforma numa pessoa indigna de idolatria. Tal pai, tal filho… quer dizer, em quase tudo… o pai ao menos pilotava bem.
Nasceu!!!
Prematuro, é verdade, mas nesse caso a notícia é positiva! Depois de esperar agoniada por oito meses (quase o mesmo período que uma gestação), a torcida tricolor enfim pode comemorar o nascimento da consciência nas Laranjeiras.
A campanha “Fora Edcarlos” fez eco, e a recompensa veio com uma faísca de bom senso no meio do caos em que se transformou o Fluminense desde a traumática final da Libertadores de 2008. Cliquem aqui para conferir a boa nova!
* Foto original: Globo.com.
Vox populi, vox Dei
Já professa o brocardo latino: “a voz do povo é a voz de Deus”. Vejam aqui como a campanha ”Fora Edcarlos” está ganhando adeptos!!!
E o inverno esquenta o Brasileirão 2009
Julho é mês mais rigoroso do inverno brasileiro. Mas o frio fica só no clima mesmo, porque no Campeonato Brasileiro, é exatamente quando o torneio começa a esquentar.
Transcorrido tecnicamente um terço do total de rodadas (13 de 38), algumas equipes já começam a despontar como favoritas ao título, outras já estão com o sinal de alerta no nível máximo, flertando com o rebaixamento. E, claro, há surpresas.
A sensação até o momento é o Atlético Mineiro, que não figurava entre os favoritos antes do início do campeonato. Mas com um time taticamente bem arrumado, tendo como ponto alto o bom preparo físico dos atletas, e contando com o artilheiro Diego Tardelli na melhor fase de sua carreira até o momento, o Galo ocupa a liderança isolada com 28 pontos, e estatísticas incontestáveis: maior número de vitórias, uma única derrota, segundo melhor ataque e defesa menos vazada.
Palmeiras (25 pontos), Internacional (24 pontos) e Corínthians (23 pontos) completam o chamado G4, o grupo dos quatro primeiros que garantem vaga na Taça Libertadores de 2010, e também figuram como favoritos ao título.
Como o Timão já tem a vaga garantida em razão da recente conquista da Copa do Brasil, a última vaga na Libertadores sobraria para o 5° colocado. E aí vem a primeira surpresa desse campeonato: o Barueri, equipe estreante na Série A, é o atual 5° colocado, com 22 pontos. Não bastasse a colocação avançada, o modesto time do interior de São Paulo tem o melhor ataque da competição e o artilheiro do campeonato, Val Baiano.
Vitória, Goiás e Grêmio, com 21, 20 e 18 pontos respectivamente, seguem perto do G4, alternando bons jogos com outros nem tanto. Santos, Santo André e Flamengo, todos com 17 pontos, ocupam o meio da tabela, com atuações bastante irregulares. Os três primeiros estão num bom momento, e tem tudo para se manter na parte superior da tabela. Os três últimos, ao contrário, passam por dias conturbados, inclusive com episódios de demissão de treinador, caso do Santos e do Flamengo. Podem ganhar moral e brigar pelas primeiras posições tanto quanto entrar de vez na crise e se aproximar da chamada “zona da degola”.
E falando em zona da degola, todos os demais clubes ainda não mencionados já flertaram com o rebaixamento ao menos por uma ou duas rodadas. O Avaí, com 16 pontos, já foi o lanterna há algumas rodadas, mas mostrou força vencendo os últimos três jogos, e começa a se afastar das posições derradeiras. Coritiba e São Paulo têm 15 pontos, e não conseguiram ainda emplacar uma boa sequência de jogos. O São Paulo, atual tricampeão do torneio, demitiu o treinador Muricy Ramalho, que conquistara com o clube os Brasileirões de 2006, 2007 e 2008. O Cruzeiro tem 13 pontos e o Sport vem logo depois, com 12, ocupam as últimas posições fora da zona de rebaixamento e também sofrem com as muitas atuações abaixo da crítica. O Cruzeiro parece ter melhores condições de sair dessa situação incômoda, mas o ânimo da equipe anda abalado após a perda da final da Libertadores desse ano para o argentino Estudiantes.
Finalmente, o grupo que vem mantendo um relacionamento íntimo com a zona de rebaixamento, e atualmente ocupam as quatro últimas posições, para desespero de seus torcedores. Atlético Paranaense e Botafogo, com os mesmos 12 pontos do Sport, estão há várias rodadas na malfadada zona. O Furacão, aliás, está na ZR desde o início do campeonato. Já a equipe carioca, nem foi derrotada tantas vezes, mas também só conseguiu vencer duas partidas em 13 jogos, e os muitos empates acabam por mantê-la na rabeira da competição.
O Fluminense é um típico caso de tragédia anunciada. Com apenas 10 pontos conquistados, conseguiu se manter em boas colocações até a 8ª rodada, ocasião em que podia se orgulhar de ter, em números, a terceira melhor defesa do torneio. Mas suas atuações eram incapazes de convencer até o mais alienado dos torcedores. Desde então, as limitações técnicas e táticas do time ficaram a cada rodada mais evidentes, e a equipe amargou uma impressionante sequência de cinco derrotas, que o fizeram despencar para a penúltima colocação, com demérito de ter, no momento, o pior ataque e a segunda pior defesa da competição.
Segunda pior defesa. Porque a pior delas está nas mãos do Náutico, que por conta disso ocupa a última posição do Brasileirão 2009, também com 10 pontos. Sem vencer desde a terceira rodada, quando ocupava a vice-liderança, o clube pernambucano também veio em queda livre desde então, e a única luz que seus torcedores conseguem ver não é a do fim do túnel, e sim a da lanterna que a equipe segura no momento.
Mas é agora que o campeonato começa a ferver, e ainda há tempo para mudanças radicais de desempenho, para melhor ou para pior, sobretudo em razão das tranferências de jogadores para o futebol europeu, que ocorrem exatamente nos meses de julho e agosto. Só depois cada clube dirá realmente a que veio no Brasileirão 2009.
Contra fatos não há argumentos
Foto: Globoesporte.com
Renato Portaluppi. Esse é o nome da mais nova esperança da torcida tricolor. Bem, ”nova” é força de expressão. Porque Renato Gaúcho não tem nada de novo no Fluminense. Ao contrário, tem uma relação antiga e cheia de altos e baixos no clube.
Desde 1995, o gaúcho mais carioca que já existiu na face deste planeta passou diversas vezes pelo clube, como jogador e como técnico. Jogador guerreiro dentro de campo e altamente indisciplinado fora dele, transformou-se num técnico sério, no maior estilo “faça o que eu digo, mas não faça o que eu fiz”. Todavia, manteve intactos o seu estilo polêmico e sua personalidade dotada de uma empáfia ímpar. Mas é daquelas criaturas que, mesmo reunindo todos os motivos do mundo para se nutrir uma especial antipatia, termina por gerar o oposto, ou seja, torna-se uma figura simpática e admirável, de tão intrigante.
Não posso esconder: sim, eu gostei muito da recontratação dele como técnico do Fluminense. E o motivo é nítido. Renato Gaúcho tem os seus defeitos, e passou seus momentos de fracasso no Fluminense, mas sua história com o clube possui inúmeros momentos felizes e inesquecíveis, momentos de sucesso que superam os de fracasso. E contra fatos não há argumentos!
Em 1995, foi contratado como estrela veterana de uma equipe desacreditada, e comandou o time dentro de campo, com garra e muitos gols decisivos, inclusive o antológico gol de barriga, no Fla-Flu que deu o título estadual daquele ano ao tricolor, quebrando assim um jejum de 10 anos sem conquistar nenhum torneio. Naquele mesmo ano, o Flu fez excelente campanha no Brasileirão, ficando em 4º lugar. Perdeu a semifinal para o Santos, numa daquelas tragédias que só acontecem ao Fluminense, pois depois de humilhar o time paulista no Maracanã, vencendo por 4×1, permitiu que o Peixe devolvesse a humilhação na Vila Belmiro, perdendo o jogo por 5×2.
Anos mais tarde, em 2007, Renato voltou ao Flu como técnico, e pegou o time no meio da disputa da Copa do Brasil. Depois de passar aos trancos e barrancos por América-RN e Bahia, o Flu ficou sem técnico e Renato assumiu o posto, levando o Flu a passar de forma bem mais convincente por Atlético-PR e Brasiliense, para então conquistar o título daquele ano na final contra o Figueirense. Ainda em 2007, o Flu voltou a fazer uma campanha forte no Campeonato Brasileiro, terminando em 4º lugar, o que garantiria vaga na Libertadores de 2008, se o título da Copa do Brasil já não o tivesse feito.
E por último, em 2008, levou o clube a uma histórica campanha na Taça Libertadores da América, que o Flu só perdeu por conta, novamente, de uma verdadeira tragédia (daquelas que só acontecem ao Fluminense…).
Mesmo assim, sua tragetória como treinador do Fluminense é, sem dúvida alguma, vitoriosa, fazendo o clube trilhar caminhos nunca antes percorridos (o título da Copa do Brasil de 2007, e o vice-campeonato da Libertadores de 2008, depois de ter feito a melhor campanha dentre os 32 clubes da primeira fase, de golear um time argentino por 6×0, e de eliminar o temido Boca Juniors).
Por tudo isso, eu só tenho mais uma coisa a dizer: vida longa ao Renato Gaúcho no Fluminense, e toda a sorte do mundo para ele reverter o atual quadro caótico do time.
Não Fred nem cheira
Contratado a peso de ouro, o homem-gol do Fluminense está cada vez mais longe de justificar o investimento. Expulso na derrota por 4×2 para o Corínthians, Fred desfalcou o Flu na vergonhosa derrota em casa para o Santo André, e ontem conseguiu novamente ser expulso, ainda na metade do primeiro tempo, o que certamente contribuiu para a derrota contra o Inter, também por 4×2. De quebra, desfalca o Flu novamente em casa, na próxima partida contra o Goiás. Isso se o Tribunal de Justiça Desportiva não decidir aplicar-lhe uma suspensão maior.
Na ocasião da expulsão contra o Corínthians, por ofensa ao árbitro, eu aliviei a barra do Fred. Apesar de não concordar com um comportamento grosseiro e desrespeitoso para com a arbitragem, acredito que naquele caso específico o árbitro foi demasiadamente melindroso e exagerou ao aplicar o cartão vermelho direto ao Fred. Desta vez, entretanto, nada pode salvar a pele do atacante que deveria ser a estrela tricolor da temporada. Trocar tapas dentro de campo com um adversário é injustificável. Nem mesmo com a desculpa de ser uma auto-defesa. Para isso existe o próprio árbitro, que ali está a tutelar a justiça dentro de campo, punindo agressões ou qualquer outra irregularidade. Como pode um atacante experiente como ele perder a cabeça tantas vezes, em vez de servir de exemplo para a jovem garotada que faz parte do plantel das Laranjeiras? Como pode alguém ter todas as condições para liderar um grupo e deixar de fazê-lo simplesmente porque não controla suas próprias emoções?
Um atacante ser expulso não é normal. Atacante que se preza provoca, na bola, a expulsão de seus marcadores, e não o contrário. E se não é normal ser expulso uma vez, menos ainda é ser expulso duas vezes seguidas. Tá nervoso? Anda estressado, por qualquer motivo? Entra na Yoga, Tai Chi Chuan, frequenta um estande de tiro, vai surfar, faz uma sessão de massoterapia, vai namorar, escolhe qualquer coisa, menos perder a cabeça no seu local de trabalho.
Inaceitável e antiprofissional o comportamento do artilheiro Fred. E digo isso com pesar, pois admiro o seu futebol e sua postura fora de campo. Mas prejudicando a equipe dessa forma, fica difícil sustentar apoio à sua permanência. Se o TJD aplicar-lhe suspensão mais severa do que a de um jogo, que é cumprida automaticamente quando se leva um cartão vermelho, será o caso do clube reavaliar a sua situação, podendo até mesmo cogitar uma rescisão contratual por justa causa.
Mas se nem na política nós somos um país sério, como podemos esperar alguma seriedade nos clubes de futebol?
Adendo (em 17/07/09): ao menos do jogador a gente pode esperar uma atitude digna, como a de admitir o erro e se desculpar com o clube e a torcida; não foi à toa que eu me referi à sua boa postura fora das quatro linhas.
Com argentino não se brinca
E o Brasil mais uma vez amarga o vice-campeonato da Taça Libertadores da América. O Cruzeiro não resistiu à raça e à catimba argentinas, e viu o Estudiantes virar o placar da partida e vencer por 2×1, conquistando assim o título da Libertadores 2009 diante de um Mineirão lotado e calado.
Não dá pra fazer críticas ao time do Cruzeiro. O elenco é de mediano para bom, com jogadores que se entregam em campo e não se deixam levar pelo deslumbre de serem estrelas do time. Kléber, Wellington Paulista e Ramires se destacam sem fazer pose de intocáveis. O goleiro Fábio é seguro e ágil. E o técnico conseguiu dar um nível de jogo envolvente e competitivo à equipe. Mesmo assim, não foi suficiente. Porque o Estudiantes, como todo argentino, soube tirar proveito de um dos poucos pontos fracos da Raposa: seu sistema defensivo.
No jogo de ida, em La Plata, o resultado foi 0×0, e o destaque do jogo foi o goleiro Fábio. Ora, quando o destaque de um jogo é o goleiro, significa que muitas bolas chegaram até sua meta, o que indica uma certa vulnerabilidade no sistema de defesa do time. E foi aí que o Cruzeiro pecou. Depois de jogar o primeiro tempo inteiro sufocando o Estudiantes, conseguiu sair na frente logo no início do segundo tempo. E depois disso recuou, confiando demasiadamente em seu setor mais vulnerável. Permitiu que o Estudiantes tomasse a iniciativa de ataque, um pecado capital quando se joga contra argentinos. Levou o empate e a virada em pouco mais de 20 minutos. Com o placar a seu favor, os argentinos fizeram o que melhor sabem, ao contrário dos brasileiros: defenderam-se e gastaram o tempo até o apito final.
Parabéns ao Estudiantes, que soube jogar com frieza e conquistou com todos os méritos o seu quarto título nessa competição, 29 anos após os três primeiros (o tricampeonato de 68/69/70). E parabéns também ao Cruzeiro, que chora a derrota de cabeça erguida, depois de atropelar São Paulo e Grêmio nas fases anteriores, e de fazer uma excelente campanha, com 9 vitórias, 3 empates e apenas 2 derrotas. Curiosamente, mas reforçando a justiça da conquista, ambas as derrotas do time mineiro foram para o Estudiantes.
Pois é… com argentino não se brinca!
Foto: Globo.com
Quando se compra vinagre por vinho
Acabou mais uma era Parreira no Fluminense. Depois de ser goleado pelo Corínthians no meio da semana, o Tricolor das Laranjeiras fez mais feio ainda no domingo, e perdeu em casa para o modesto Santo André, por 1×0. Pior do que isso, acabou entrando na zona de rebaixamento do Brasileirão 2009. E como já era esperado, a diretoria do Flu adotou aquela manjada atitude típica dos clubes sem planejamento e sem vergonha na cara: demitiu o técnico.
Demitir o técnico, por vezes, é um ato inevitável em determinados momentos. Se o clima não é favorável, se o time não encontra uma identidade depois de um certo período, a demissão do técnico se torna medida sem escapatória para a direção do clube. Isso acabou de acontecer com o Muricy Ramalho depois de três anos consecutivos de títulos e mais títulos no São Paulo. E isso aconteceu, de fato, com o Parreira no Flu. Ele já não tinha mais clima para dirigir a equipe, havia uma certa dissonância entre ele e o elenco, que o impediu de criar um padrão de jogo vistoso e competitivo para a equipe. Em última análise, a saída dele foi medida inevitável e, como tal, considero até uma decisão acertada e tempestiva da diretoria do clube.
O problema é achar que apenas a mudança de treinador vai dar jeito na equipe. Um técnico, por mais incompetente que ele seja, não pode ser considerado isoladamente culpado por uma equipe ocupar a zona de rebaixamento de um torneio como o Brasileirão. Isso ocorre quando o elenco é limitado. O Fluminense não “caiu de produção”, como querem enxergar os dirigentes, pois não se pode descer quando jamais se esteve no alto. O Flu vem apresentando um futebol medíocre desde o início do ano, não é de agora. Os dirigentes, preocupados com as aparências, trataram de anunciar a contratação de Fred como a solução para o Flu brigar por títulos, mas se esqueceram de que uma andorinha não faz verão. Os outros setores do time ficaram a ver navios, com jogadores ora incompetentes, ora inexperientes e, em alguns casos, sem qualquer comprometimento com o clube. Contrataram o Parreira – que notoriamente é um retranqueiro, mas não poderá nunca ser chamado de incompetente – e colocaram na mão dele uma defesa e um meio de campo cheios de deficiências (zaga composta por um pseudo-zagueiro, cujo nome não preciso repetir; laterais sem qualquer categoria; volantes incapazes de fazer a ligação defesa-ataque). Deficiências que já foram exaustiva e reiteradamente apontadas aqui neste mesmo blog (vide posts “Fernando Henrique x Flamengo” e “A importância de saber perder“). Anunciaram que estavam comprando vinho, mas na verdade só contrataram vinagre.
E agora, que demitiram o Parreira, comentam em contratar Muricy. Vai adiantar? Dificilmente. O que Muricy será capaz de fazer de tão diferente que o Parreira, com o elenco que o Flu tem nas mãos? Rigorosamente nada. Colocaram um time pífio na mão de Parreira e o desgastaram. Qualquer um que entrar no lugar dele sofrerá o mesmo. O Fluminense precisa de um elenco melhor, de um elenco mais digno da grandeza de sua história.
E que tal começarmos com a campanha abaixo?
Foto: O Globo online (edição: Jane)