O rei do pitaco


Ha-Ho-He, Hertha BSC!!!

Enviado em Esportes,Futebol por rffacina em 11 de março de 2009

Eu não canso de me revoltar com o fato da nossa imprensa ser tão tendenciosa!

Tenho acompanhado o campeonato alemão de futebol, a Bundesliga, através da internet. Eu já gostava de acompanhar os resultados dos campeonatos europeus, sempre pela internet, uma vez que me falta tempo para assistir às partidas e, principalmente, porque não tenho TV por assinatura, que possuem canais que fazem uma cobertura mais ampla desses torneios. Mas este ano tenho acompanhado com mais interesse, influenciado pelo fato de que minha noiva atualmente mora em Berlim. O carinho que ela tem com o Hertha Berlim, clube local, acabou me fazendo adotá-lo como meu clube na Alemanha.

Pois bem. O campeonato nacional alemão desse ano está se revelando um dos mais disputados dos últimos tempos e, passadas já 23 rodadas de um total de 36, nenhum clube conseguiu até agora disparar na liderança do torneio. Para se ter uma idéia, nas últimas cinco rodadas, três clubes se revezaram na liderança, nunca abrindo mais do que dois pontos para o vice-líder: Hertha, Hamburgo e Hoffenheim. Sempre seguidos bem de perto pelo Bayern de Munique e, agora, pelo Wolfsburg, este último numa impressionante sequência de cinco vitórias seguidas. Eis que, na 23ª rodada, disputada no último final de semana, os resultados altamente favoráveis ao Hertha o fizeram abrir inéditos quatro pontos em relação ao vice-líder e, diga-se de passagem, também em relação ao terceiro, quarto e quinto colocados. Isso mesmo: o Hertha tem 46 pontos e os outros quatro estão curiosamente com os mesmos 42 pontos. Pelos critérios de desempate, o Bayern é o 2º, o Hoffenheim é o 3º, o Wolfsburg é o 4º e o Hamburgo é o 5º.

E não é que, com tantos fatos curiosos e interessantes para se destacar, o que foi comentado com mais ênfase nas páginas esportivas aqui do Brasil não foi o fato do Bayern ter voltado à 2ª colocação? Ah, façam-me o favor, parem de babar o ovo de quem já tem fama!!!

E viva o Hertha, líder garantido pelo menos até a 25ª rodada! Ou, como canta sua alegre e fiel torcida: ha, ho, he, Hertha BSC!!!

A insensibilidade do Arnaldo

Enviado em Futebol por rffacina em 9 de março de 2009

Ontem um fato chamou muito a minha atenção na transmissão de um jogo de futebol.

 

O jogo entre Vasco e Friburguense pelo Campeonato Carioca havia terminado e a Rede Globo transmitiu para o Rio de Janeiro os últimos minutos do clássico entre Palmeiras e Corinthians, pelo Campeonato Paulista,  confronto que marcava a volta de Ronaldo como titular de um time, no caso o Corínthians, após mais de um ano parado em virtude de mais uma das graves contusões que permeiam sua carreira.

 

A partida era vencida pelo Palmeiras por 1×0 e se caminhava para o término, mas, nos acréscimos, Ronaldo marcou de cabeça o gol de empate, após cobrança de escanteio. Sem conter sua emoção na hora do tento, ele correu em direção à torcida do Corinthians e, de forma bastante efusiva, subiu no alambrado para comemorar, o que naturalmente instigou a sua torcida a fazer o mesmo. Como o jogo foi disputado em Presidente Prudente, o limitado alambrado do estádio não suportou a massa corinthiana enlouquecida, e várias vigas de concreto que o sustentavam se partiram, destruindo parte da estrutura, que separa a torcida do campo. Finda a confusão da comemoração, fruto também de toda a expectativa criada em torno da volta de Ronaldo aos gramados, o árbitro da partida puniu o jogador com um cartão amarelo.

 

Não foi nenhum desses, porém, o fato que me chamou a atenção.

 

Foi simplesmente um comentário proferido pelo ex-árbitro Arnaldo César Coelho, comentarista da Rede Globo. Ele classificou de “sem nenhuma sensibilidade” a conduta do árbitro da partida, que segundo ele, aplicou desnecessariamente o cartão amarelo ao Ronaldo, justificando que seria compreensível seu entusiasmo com o gol e sua exagerada comemoração. Com todo o respeito à brilhante carreira do Arnaldo, insensível foi o seu comentário, extremamente irresponsável e, diria até, antiético. Antiético porque criticou uma decisão acertada de um colega de profissão, utilizando como justificativa não critérios técnicos e objetivos, mas políticos e subjetivos. E irresponsável porque não observou o alcance que suas palavras atingem num veículo de comunicação como a TV.

 

Ora, a regra do futebol indica que o árbitro deve punir o jogador que comete excessos na comemoração de um gol. Ronaldo, e não questiono os motivos que ele teve para isso, efetivamente se excedeu ao comemorar seu gol, o que fez com que o árbitro o punisse com o cartão amarelo. Não é questão de sensibilidade ou não, é questão de aplicar a regra em uma situação onde não cabe ser “sensível”, pois a regra deve ser aplicada a todos indistintamente. Ronaldo se excedeu e, em consequência disso, mesmo sem má-fé, colocou em risco a segurança da partida, por isso mereceu o cartão amarelo. Ser ele o Ronaldo, dito “Fenômeno”, não o credencia a ser colocado em um patamar superior às regras do futebol. A irresponsabilidade do comentário do Arnaldo se materializa no fato de que, ao dizê-lo em uma transmissão de TV, passa aos espectadores, que não são poucos, a odiosa noção de que devemos fazer vista grossa frente aos erros cometidos por algumas pessoas, simplesmente pela notoriedade que elas têm.

 

Num país repleto de autoridades acostumadas à promiscuidade da troca de favores e de plebeus viciados no “jeitinho brasileiro”, não precisamos que a repugnante “carteirada” seja classificada como natural por um profissional formador de opinião de um dos nossos maiores veículos de comunicação em massa.

 

O Fluminense do Parreira

Enviado em Futebol por rffacina em 9 de março de 2009

Meu primeiro pitaco, obviamente, tinha que ser sobre o meu Fluzão.

Em 2008 o Flu foi do céu no primeiro semestre ao inferno no segundo. Fez uma campanha empolgante e emocionante na Libertadores, eliminou heroicamente o São Paulo e o Boca Juniors, contando também com a sorte imprescindível aos campeões. Mas vacilou feio na final contra a inexpressiva LDU, e deixou escapar a oportunidade de ser o atual campeão da competição mais importante para os clubes das Américas, tendo que suportar, ainda, uma luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, situação visivelmente provocada pelo abalo psicológico da equipe após a perda do inédito título sul-americano, que parecia inescapável.

Depois de trocar de técnico três vezes, o Flu contratou René Simões, e com ele se viu livre da tristeza maior ainda que seria o rebaixamento para a série B do Brasileirão. René fez as vezes de um excelente psicólogo, mas não se mostrou um bom técnico no Fluminense. Tem todos os méritos por levantar a moral da equipe nas últimas e decisivas rodadas do Brasileirão 2008. Mas não conseguiu dar uma identidade tricolor ao plantel de 2009. Em dois meses de trabalho neste ano, o time não desenvolveu um estilo uniforme de jogo. Nos jogos que acompanhei integralmente, percebi que não faltava vontade aos jogadores, mas sim conjunto e, no segundo tempo, preparo físico. Vi jogadas simplórias e previsíveis, sem criatividade. Com isso, o Flu sofreu viradas desastrosas e inaceitáveis, para times como Cabofriense e Duque de Caxias. A semifinal da Taça Guanabara contra o Botafogo foi uma exceção ainda mais negativa, porque além da ausência de criatividade e preparo físico, o time foi extremamente apático durante 90% da partida, resultando numa derrota que beirou o ridículo, para um Botafogo que apresentou um futebol muito aquém do que o brasileiro é capaz. Enfim, falta ainda à equipe o que chamamos de “pegada”, na gíria do futebol. E René se mostrou incapaz de despertar esse espírito no atual elenco.

Nessa semana, porém, duas contratações despertaram na torcida uma grande esperança, sentimento tão fortemente cantado no belo hino tricolor. Fred chega como o atacante de peso que falta ao Fluminense, o homem-gol, aquele do qual se espera a artilharia. Se conseguirá, só o tempo nos dirá, mas futebol pra isso é inegável que ele já mostrou outrora. Mas a contratação que, no meu entender, foi a mais acertada da diretoria tricolor nos últimos tempos, foi a de Carlos Alberto Parreira como técnico. Não vou entrar no mérito sobre a inteligência e a experiência de Parreira, pois seu currículo o precede. O mais importante na chegada dele nesse momento é a inegável identidade e a história que ele tem com o Fluminense. Declarado torcedor do clube, Parreira é ligado à história do clube, quase como se estivesse em um casamento. Isso mesmo, um casamento. Porque ele esteve presente tanto em momentos gloriosos quanto em momentos difíceis da vida do eterno Tricolor das Laranjeiras. Em 1984, no auge de anos verdadeiramente dourados para o Fluminense, ele era o técnico da equipe que conquistou com todos os méritos o que, até hoje, é o único título do Campeonato Brasileiro ostentado pelas Laranjeiras. E em 1999, ele voltou a ser técnico do Fluminense para, desta vez, vencer a tenebrosa série C do Brasileirão, tirando o clube, não sem a elegância de sempre – característica tanto do clube quanto de Parreira – do lugar mais fundo que chegou em toda sua admirável história. Na alegria e na tristeza, a relação iluminada entre Parreira e o Flu sempre rendeu bons frutos. Seu retorno ao clube, portanto, significa mais do que a contratação de um técnico conceituado e de alto nível. Significa o prenúncio de uma conquista importante para o Fluminense. Há no ar a sensação de que a sorte dos campeões voltou à casa. A vitória de ontem contra o limitado Mesquita, em cima do laço, com um único gol marcado aos 45 minutos do 2º tempo, deu uma dimensão bem exata disso.


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